A prática da hatha yoga

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Como todo exercício físico, a prática da hatha yoga deve ser rápida, de fácil execução e com resultados observáveis no curto, médio e longo prazo. Qualquer coisa diferente disso, resulta na euforia inicial seguida do desinteresse e abandono no decorrer de poucas semanas…

Que o leitor tenha em mente que a prática da hatha yoga, independente da modalidade, é um estilo de vida! Alguns a confundem, inadvertidamente, com religião ou esporte. Ledo engano…

Deve ser tomada como algo que nos conecta ao Criador, mantendo nosso equilíbrio físico, mental e espiritual, justamente o que a medicina moderna tanto apregoa… Não é à toa que muitos hospitais conceituados, como o Massachusetts General Hospital nos EUA e no Brasil o Albert Einstein, são adeptos da indicação da hatha yoga e mindfullness conjugadas como terapia complementar no tratamento de inúmeras doenças.

            Isto posto, vamos direto à prática, lembrando que as séries indicadas a seguir são especialmente voltadas para iniciantes, sendo a leitura das referências dos mestres iogues Hermógenes (brasileiro) e B.K.S. Iyengar (indiano) fundamental para que possam avançar pelos exercícios, bem como aulas com professores habilitados, caso desejem passar aos exercícios de grau de dificuldade mais elevada.95a-c

Importante frisar que cada um pode montar sua própria série personalizada. No meu caso, fui bem cauteloso por causa das limitações em termos de alongamento do corpo. Escolhi exercícios com grau de dificuldade menor (de 1 a 3) e fui aumentando gradativamente a complexidade ao longo das séries.

Notem que sempre começo todas as séries com uma introdução que compreende a pose em prece (pg. 368)95c e o mantra OM (3 vezes), visando estabelecer a conexão iniciak com o Criador. Eis mais algumas recomendações aos neófitos antes das séries propriamente ditas:      

  • Ambiente: claro, arejado, amplo, colchonete, silencioso ou som de meditação;
  • Prática diária: segunda a segunda antes das refeições por cerca de 30 minutos;
  • Nível inicial: 7 séries de 7 exercícios (1 pranayama + 6 asanas)

SÉRIE 1: segundas-feiras

1. Sopro Ha,95a p. 124, 3 vezes;

2. Supta-Ardha-Gorakshásana,95c p. 359, 1 vez somente;

3. Dança do elefantinho,95c pg. 341, 1 min.;

4. Saudação ao sol,95a p. 135, 1 vez somente;

5. Meia postura da árvore,95a p. 175, até fadiga;

6. Símbolo do yoga,95a p. 148, até fadiga;

7. Pose da foice,95a p. 190, até fadiga.

SÉRIE 2: terças-feiras

1. Ativação do diafragma,95a p. 105, aprox. 1 min;

2. Postura da árvore,95a p. 177, até fadiga;

3. Grande símbolo,95a p. 152, 1 vez de cada lado;

4. Pose do leão,95a p. 206, 3 vezes;

5. Pose da foice,95a p. 190, 1 vez somente;

6. Pose sobre os ombros,95a p. 191, até a fadiga;

7. Parighasana,95b p. 85, 30 segundos de cada lado.

SÉRIE 3: quartas-feiras

1. Limpeza dos pulmões,95a p. 105, 5 repetições;

2. Símbolo do yoga,95c p. 347, 3 repetições de cada lado, respiração ritmada (1:1:2);

3. Supta-Ardha-Gorakshásana,95c p. 359, 1 repetição, respiração controlada;

4. Pose da lua,95c p. 351, 1 repetição de cada lado, até fadiga;

5. Pose da pinça,95c p. 353, 1 repetição, respiração ritmada (1:2:1);

6. Pose da cobra, ref. 3, p. 356, respiração ritmada (1:2:1);

7. Utkatásana,95b p. 88, 30 segs.

SÉRIE 4: quintas-feiras

1. Respiração polarizada,95a p. 117, 3 cada lado, olhos fechados;

2. Torção da chama,95c p. 361, 3 vezes;

3. Purnásana,95c p. 363, 3 repetições;

4. Pose da palmeira,95c p. 365, 3 repetições;

5. Folha dobrada,95c p. 379, tempo livre;

6. Dolásana (seguido do ex. 7),95c p.381, até a fadiga;

7. Salabhāsana,95b p. 99, até a fadiga.

SÉRIE 5: sextas-feiras

1. Respiração polarizada,95a p. 117, 3 cada lado, olhos fechados;

2. Rolamento da cabeça,95c p. 388, 3 em cada sentido;

3. Nitambhásana,95c p. 385, 1 de cada lado, direita primeiro;

4. Garudásana,95b p. 97, 15 a 20 seg. e inverte;

5. Meia pode gafanhoto,95a p. 166, 1 vez somente;

6. Pose do diamante,95a p. 143, 1 vez somente;

7. Pode do herói,95a p. 144, 1 vez somente.

SÉRIE 6: sábados

1. Respiração diafragmática,95b p. 405, 20 repetições;

2. Saudação à lua,95b p. 120, 30 segs.;

3. Siddahasana,95b p. 116, perna esquerda primeiro depois direita até aguentar;

4. Arohanásana,95c p. 383, até aguentar;

5. Pode da cegonha,95a p. 155, 1 vez somente;

6. Baddha konasana,95b p. 128, 30 segs.;

7. Balanço,95c p. 377, alguns segundos até parar.

SÉRIE 7: domingos

1. Respiração completa,95a p. 111, 3 repetições;

2. Virabhadrásana I,95b p. 69, 20 a 30s e inverte;

3. Pose revirada,95a p. 164, 1 vez somente;

4. Chaturanga dandāsana,95b p. 104, 30 + 30 seg,;

5. Ardha navāsana,95b p. 112, 20 seg.;

6. Pose do arco,95a p. 162, 1 vez somente;

7. Pose do peixe,95a p. 165, 1 vez somente.

Créditos:

Autoria por Ricardo Barreto

Da obra no prelo VALOR: desvendando conceitos e quebrando mitos

VOLUME II – CULTURA DE VALOR: aforismos para uma vida plena

Saiba mais:

95a. Hermógenes, Autoperfeição com hatha yoga, 50a ed., Rio de Janeiro: Nova Era, 2009.

95b. B. K. S. Iyengar, Light on yoga, Schocken Books, New York, 1979.   

95c. Hermógenes, Yoga para nervosos, 50a ed., Rio de Janeiro: BestSeller, 2015. Medical Association Journal, 174(6), 801-809.

Apêndice II

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Determinação da curva de valor

            Vimos primeiramente como determinar os três diferentes tipos de valores (esperado, percebido e real). Isto se aplica a avaliações de circunstâncias pontuais como, por exemplo, o valor da “felicidade” numa festa de aniversário…

            Vejamos, agora, como traçar a sua própria “curva de valor” que contempla os principais valores em múltiplas interações e num período mais longo (ex. 1 ano). Este procedimento serve para sabermos como somos “percebidos” pelas pessoas com que convivemos e de alguma forma estamos conectados.

            Só existe uma forma fidedigna de cumprirmos com essa importante missão e requer método, tal como o empregado nos departamentos de recursos humanos das empresas. São realizadas consultas, via questionários orientados, aos nossos diversos públicos de relacionamento, incluindo nós mesmos!  

            É preciso saber como nossos familiares, amigos, parceiros de academia e colegas de trabalho, aqueles com quem interagimos no dia a dia, nos avaliam em termos dos valores conscienciais, tanto no plano físico como no plano sutil. Só assim, teremos uma fotografia mais clara de onde estamos em termos de valores humanos e poderemos traçar um plano para o desenvolvimento daquelas características que mais precisamos melhorar.

            São três os passos para uma consulta estruturada, a saber:  

                1. Seleção das pessoas;

                2. Avaliação dos valores;

                3. Construção da curva de valor.

Seleção das pessoas

            Alguns critérios devem ser respeitados para que você obtenha êxito na seleção representativa das pessoas. Antes de qualquer coisa é preciso fazer uma lista daquelas com as quais você mais convive, nos diferentes ambientes que frequenta: casa, trabalho, escola, academia, igreja, etc. Uma dica: escolha os nomes ao acaso à medida que surgirem em sua mente. Tente obter uma lista de pelo menos cinco nomes de cada ambiente.

Figura 1. Lista de pessoas por ambiente de convívio.

            Olhe agora para esta lista e procure ordená-la de acordo com a quantidade de tempo que você interagiu com cada uma destas pessoas no último ano. Isto porque quanto mais tempo você se relacionou com elas, maiores são as chances de elas terem uma percepção mais apurada dos seus valores…

            Uma dica: não confunda quantidade de interações com intensidade (ou a carga emotiva) das interações… Faz-se mister aqui evitar o viés da afinidade ou repulsa neste processo de seleção. Claro que sempre existirão casos em que os tipos de interações se confundirão, mas não podemos induzir isto propositalmente.

Figura 2. Lista ordenada por ambiente de convívio.

    Interessante observar, neste caso, que os ambientes de convívio se restringem basicamente à casa, escola e rede social na internet. E que os melhores amigos da escola não são necessariamente os mesmos do Facebook…

Você está, enfim, apto para concluir o processo de seleção. Escolha ao menos duas pessoas de cada ambiente que você mais frequenta, respeitando a ordem de quantidade de interações. Recomenda-se que sejam escolhidas no máximo doze pessoas como um todos.

Avaliação dos valores

            Antes de iniciar, não se esqueça de fazer a sua auto avaliação, respeitando uma escala de 0 a 5 pontos que representa como você se enxerga com relação a cada um dos principais valores da sua existência física, ou sutil, se preferir.

Figura 3. Escala de avaliação das pessoas.

Procure enriquecer sua auto avaliação com exemplos de casos típicos que pesaram significativamente nas notas aplicadas. Estes comentários normalmente são lembranças que vêm naturalmente em nossa mente durante a avaliação de cada um dos valores.

Figura 4. Auto avaliação de valores sutis.

            Finalmente, você deverá contatar cada uma das pessoas selecionadas para explicar que está construindo sua “curva de valor” e gostaria de contar com um pouquinho do tempo delas para preencherem um formulário de avaliação.

    É muito importante que você explique pessoalmente qual é o propósito desta avaliação e combine de encaminhar o formulário por email para a pessoa se sentir mais à vontade para o preenchimento em seu tempo livre.

    Dê um prazo longo (algumas semanas). Caso a pessoa não responda neste período, encaminhe um lembrete e aguarde por mais 1 semana. Se ainda assim não obtiver resposta, não insista. Cada um tem suas prioridades e devemos respeitá-las. Passe para a próxima pessoa da lista.

Construção da curva de valor

            Depois de receber os formulários preenchidos, compile as notas e comentários das avaliações numa mesma tabela e aplique uma média simples das avaliações de cada valor. Compare então as notas obtidas com as da sua autoavaliação. Aplique novamente uma média simples entre estes valores. Terás, então, as notas finais.

Figura 5. Avaliação de valores sutis.

    Para concluir a construção da sua curva de valor só falta agora plotar as notas finais na forma gráfica para facilitar a visualização.

Figura 6. Exemplo de curva de valor.

    Ao analisar sua curva de valor ficará evidente quais são os seus valores que precisam ser desenvolvidos. Neste caso específico os valores da paz e felicidade mereceriam especial atenção. Você poderá então estabelecer um plano de desenvolvimento, constando ações que visem prioritariamente o desenvolvimento destes valores.

    Com o passar do tempo (normalmente após 5 ou 10 anos) é recomendável que atualize sua curva de valor com o intuito de avaliar como está sua evolução. Se estiver estagnado, é sinal de que precisa rever seu plano porque não está gerando resultados práticos.          

    Trocando em miúdos: não tem havido nenhuma melhora da sua percepção de valor pelas pessoas com quem você se relaciona. E isto é sinal de que precisa mudar mais radicalmente algum aspecto do seu “ciclo de cultura de valor”.

Créditos:

Autoria por Ricardo Barreto

Da obra no prelo VALOR: desvendando conceitos e quebrando mitos

VOLUME II – CULTURA DE VALOR: aforismos para uma vida plena

Apêndice I

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Detalhamos aqui algumas das ferramentas apresentadas neste livro, visando impulsionar a geração de valor consciencial.

Determinação de valor esperado

            Comecemos definindo algum valor específico que você gostaria de realizar a sua autoavaliação. Usando o mesmo exemplo empregado na Introdução, vamos tratar aqui do valor da “felicidade”.

            Vimos que o “valor esperado” é aquele em que cada um estabelece uma inferência estatística, baseada nas suas próprias observações, sobre a frequência e o impacto com que gera determinado tipo de valor no dia a dia.

            Digamos que, em cada 100 circunstâncias de encontros sociais, familiares e profissionais, você acredita (isto mesmo, uma crença porque via de regra o “valor esperado” é significativamente distinto do “valor percebido”) que gerou o valor da felicidade em 50% deles. Desenhando isto numa análise típica de quadrantes, temos:

Figura 1. Análise de valor esperado.

            Isto quer dizer que, muito provavelmente, numa escala 0 a 5, sua autoavaliação sobre este valor específico da felicidade, seria algo em torno de 2,5.

Determinação do valor percebido

            Imagine agora que, numa espécie de enquete com 50 das 1.000 pessoas com quem você efetivamente interagiu nestes 100 encontros, apenas 5 (ou 10%) enxergaram de fato este valor em você. Teríamos então o seguinte quadro:

Figura 2. Análise de valor percebido.

            Notem que, na média, sua avaliação entre elas necessariamente está deslocada para o lado negativo (menor que 2,5), ficando possivelmente bem próxima de 1,0.

            Isto é, portanto, o que chamamos de “valor percebido”, aquilo que os outros enxergam sobre você dentro de certo espaço amostral. Importante observar que, segundo os conceitos estatísticos, quanto maior o espaço amostral, maior a precisão dessa medida.

Determinação do valor real

            Então, aplicando-se o modelo bayesiano que prevê o procedimento de atualização e validação das inferências (sua autoavaliação contra a avaliação dos outros), temos o que mais se aproximaria do seu “valor real” de felicidade, ou seja, algo entre 1,0 e 2,5, ou muito próximo de 2,0. Teríamos, mais propriamente, a seguinte análise de quadrantes para este caso:

Figura 3. Análise de valor real.

            Seria como se fizéssemos o teste com todas as 1.000 pessoas com quem você interagiu. Note como existem circunstâncias dúbias, ou seja, ocorreram casos em que você não gerou valor de felicidade e algumas pessoas entenderam que sim (100 entre 600), ou algo como 17% dos casos. Por outro lado, também houve casos em que você gerou de fato valor, mas este não foi entendido como tal (100 entre 400), ou 25% de incidência.

            Este tipo de análise estatística é muito interessante porque nos mostra como o pensamento consciente pode influenciar no fluxo do subconsciente e vice-versa… Mais um motivo para buscarmos o pleno domínio dos pensamentos e não ficar a mercê dos domínios do nosso subconsciente.

Créditos:

Autoria por Ricardo Barreto

Da obra no prelo VALOR: desvendando conceitos e quebrando mitos

VOLUME II – CULTURA DE VALOR: aforismos para uma vida plena

Corpo consciente

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A inércia, ou inapetência, é a maior inimiga do corpo consciente. De nada adianta arrumar uma desculpa para si ou para o seu médico… Fato é que a prática contínua de atividades físicas pode sim prevenir a ocorrência de diversas doenças crônicas e, consequentemente, mortes prematuras. Pelo menos é o que indica uma série de estudos científicos a respeito.1

            Os benefícios se dão, mais propriamente, por diversos efeitos fisiológicos, dentre os quais destaca-se aqui a melhoria do funcionamento do sistema imunológico. Evidências mostram que até mesmo alguns tipos de câncer podem ser sinalizados e contidos logo no início por conta do melhor desempenho autoimune.2   

Não é preciso ser um “superatleta”. Uma breve caminhada de apenas 30 minutos, quando praticada com frequência, já é o suficiente.3 Pessoa comuns, com uma jornada de trabalho de mais de 8 horas, ainda arrumam tempo para ir à academia quase todo santo dia… E aí reside outro grande problema: quando se esvai o maior objetivo que é a saúde e não o culto ao corpo!

Muitos, sem sequer perceberem, na verdade estão levando uma vida fútil, frívola, sem um propósito maior… E o resultado, invariavelmente, é um só: crise de estresse, depressão profunda, pânico!!

Vamos então propor uma terapêutica simples. Não precisa ser médico para estimular as boas práticas que melhoram a saúde e qualidade de vida. Mas lembrem-se, antes de mais nada, de pesquisarem sobre o Prof. Hermógenes: o pioneiro da Hatha Yoga no Brasil.

Se é a cabeça que já não anda funcionando como antes, pode esticar um pouquinho mais a soneca (uns 40 minutinhos já é o suficiente), três vezes por semana, e propiciar um aumento do tamanho do hipocampo, melhorando a memória.4 Ou ainda, se estiver adentrando na terceira idade, vai evitar as deficiências da senilidade devido ao estímulo do fluxo sanguíneo para o cérebro que ocasiona o aumento do tamanho do córtex pré-frontal e melhora o controle motor, da memória e do pensamento crítico.5

    Quando se trata da saúde do corpo físico, não adianta de nada atuar em qualquer etapa do ciclo de cultura de valor, seja reprogramando suas crenças ou cultivando pensamentos positivos, se você não fizer também a sua parte com relação aos mecanismos mais essenciais que regem a saúde do nosso corpo. Dores crônicas são capazes de tirar qualquer um do sério!

    Uma atitude consciente, segundo a ótica aqui abordada, perpassa pela conciliação de uma vida ativa fisicamente com uma vida igualmente ativa dentro das nossas mentes. Só assim você terá uma “intervenção mente-corpo” realmente efetiva, galgando os valores mais sutis de poder, prosperidade, pureza, paz, verdade, amor e felicidade. Não há outra forma de alimentar o espírito, senão pelo equilíbrio dessas duas dimensões da nossa existência física e sutil.

            Não vejo outra definição melhor para um “ser altruísta” que não aquele que gera estes valores em base contínua e os distribui a tudo e a todos que convive. E espero, caro leitor, que o ciclo da cultura de valor tenha se figurado como um meio para esta busca. Boa sorte nesta jornada!!

Créditos:

Autoria por Ricardo Barreto

Da obra no prelo VALOR: desvendando conceitos e quebrando mitos

VOLUME II – CULTURA DE VALOR: aforismos para uma vida plena

Saiba mais:

1. Warburton, D. E. et. al. (2006) Health benefits of physical activity: The evidence. Canadian Medical Association Journal, 174(6), 801-809.

2. Friedenreich, C. M. (2001) Physical activity and cancer prevention from observational to intervention research. Cancer Epidemiology Biomakers & Prevention, 10(4), 287-301.

3. Bassuc, S. S. et al. (2013) Why exercise works magic. Scientific Americam, 74-79.

4. Erickson, K. I. et. al. (2011) Exercise training increases size of hippocampus and improves memory. Proceedings of the National Academy of Sciences, 108(7), 3017-3022. Pereira, A. C. et al. (2007), An invivo correlate of exercise induced neurogenesis in the adult dentate gyrus. Proceedings of the National Academy of Sciences, 104(13), 5638-5643.

5. Calcombe, S. J. et al. (2006) Aerobic exercise training increases brain volume in aging humans, The Journals of Gerontology Series A: Biological Sciences and Medical Sciences, 61(11), 1166-1170. Calcombe, S. J. et. al. (2004), Cardiovascular fitness, cortical plasticity, and aging. Proceeding of the National Academy of Sciences, 101(9), 3316-3321.

Nutrição consciente

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Confesso que até pouco tempo atrás eu nunca tinha parado para refletir com maior seriedade sobre o tema. Além de bom gourmet, até debochava daqueles que faziam uma opção alimentar mais restritiva, seja qual fosse a razão: estética, crença ou saúde.

            Foi então que li um livro do polêmico filósofo australiano Peter Singer que chamava a atenção para o dilema ético da alimentação de proteína animal e o sofrimento dos animais criados para o abate.1 Na época (ainda antes dos meus 30 anos), tomei minha primeira decisão acerca do tema: nunca mais comeria carne de vitela!

            Também nunca fui tão preocupado com estética. No máximo, quando solteiro, cheguei a frequentar a academia com maior assiduidade para manter o abdómen levemente torneado (as veleidades de moçoilo), mas nem foi necessário fechar a boca haja vista que sobrava energia e o metabolismo ainda ajudava…

            A questão estava longe ganhar notoriedade mesmo depois dos trinta. Após os 5 primeiros anos de casado, com filha para criar, trabalhando e ainda estudando como nunca, claro que você sempre acaba encontrando breves momentos de prazer na comida: aquela picanha maturada na sexta à noite, pizza portuguesa aos sábados e, claro, uma bela feijoada no domingo para arrematar a semana!

            Então, pela primeira vez, recebi recomendações médicas para atentar mais para o peso e manter sob controle o colesterol, triglicérides, etc. Até aí nenhuma novidade. Faz-se como 99,9% das pessoas: corta-se o açúcar, tranca-se o congelador e começa-se, sofrivelmente, a praticar alguma atividade física, mesmo que esporádica.

            Só percebi realmente algo diferente quando estava à beira de um ataque de estresse e resolvi fazer um retiro espiritual nas montanhas para aprender meditação, mais especificamente raja yoga. Foram dois dias de reflexão, em que aprendi não apenas a meditar, mas também a preocupar-me mais com o que entra pela boca, não pela ótica científica das interações bioquímicas dos nutrientes e seus efeitos fisiológicos, mas sim pela análise de coerência com nossas crenças e seus efeitos sobre os pensamentos. Eis aí a quebra de paradigma! Vejamos uma argumentação bem simples.

            Se sou um ser consciente, em contínua evolução através da interação construtiva com outras consciências, independente de raça, credo ou quaisquer pré-julgamentos, como posso então alimentar-me de carne de origem animal, sabendo (ou acreditando) que estes seres também são dotados de consciência, mesmo que em estágios considerados inferiores aos da espécie humana?

Pronto, se você concordou com esse primeiro raciocínio, então são muitas as perguntas sem respostas: por que, aos olhos do Criador, a consciência de uma vaca, uma leitoa ou um coelhinho silvestre seriam tão diferentes assim das nossas? Ou ainda: se comemos miúdos de galinha, por que não comeríamos miúdos de carne humana?! O Dr. Lecter, de Silêncio dos Inocentes, certamente não era vegetariano…

            Foi assim que, aos 36 anos de idade, decidi não comer mais regularmente carne de origem animal. No início me alimentava, por vezes, de camarão e alguns crustáceos que julgava apresentarem consciências num estágio rudimentar, ou seja, teriam uma tênue ligação com o plano físico e não sofreriam tanto com a morte. No entanto, mais recentemente descobri pela ciência que até mesmo o octupus apresenta um sofisticado sistema sensorial.2

Não me tornei um vegetariano convicto. Longe disso. Digo que sou um vegetariano sem vergonha! Após manter a disciplina por alguns anos, decidi levar a coisa mais suave. Seja com a família, ou amigos, sempre abro honrosas exceções…  Meu objetivo é poupar sei lá: umas 15 vaquinhas, uns 5 porquinhos e umas 70 galinhas até o final dessa minha vida.

Não aboli ovo, nem leite e seus derivados que, a propósito, são extremamente nutritivos e não recomendo que faltem em nossa dieta diária. De qualquer forma, respeito a opção tanto dos carnívoros quanto dos veganos. A sabedoria sempre reside no equilíbrio, independente de como o tenha alcançado.

           A coisa se torna premente quando se trata do direito animal. Sou a favor do movimento em defesa dos animais e também penso que está mais do que na hora de incorporamos leis de proteção severas a este respeito no código civil. É preciso evitar que estas consciências animais sofram durante o abate que é algo brutal, independente do método.

Créditos:

Autoria por Ricardo Barreto

Da obra no prelo VALOR: desvendando conceitos e quebrando mitos

VOLUME II – CULTURA DE VALOR: aforismos para uma vida plena

Saiba mais:

1. Peter Singer, Vida Ética, Ediouro: São Paulo, 1a ed., 2002.

2. Birch, Jonayhan et al. Dimensions of Animal Consciousness, Trends in Cognitive Sciences, October, 2020

Pensamentos conscientes

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Pensar de forma consciente é assumir que se entende e pratica-se, autômato e indiscriminadamente, o ciclo da cultura de valor. Em outras palavras, queremos dizer que as seguintes máximas foram, são e permanecerão plenamente incorporadas ao seu cotidiano:

  1. Assuma que a vida só existe porque há consciência: o centro de força da energia vital;
  2. Defina seu sistema de crenças, seja qual for… Apenas não fique em cima do muro! 
  3. Seja coerente ao pensar. Pense no que pensa, depois pense novamente, só então prossiga pensando… Isto é refletir.
  4. Fale com um propósito. E que este seja minimamente louvável… Caso contrário, o melhor é que guarde para si e olhe lá!
  5. Nada de mal há em levar uma vida contemplativa. Que seja resgatada a disciplina monástica, mas numa nova roupagem…
  6. Você é 100% responsável pelos seus atos? Espero que sim. Não existe destino, nem sorte e muito menos azar! Só carma.
  7. Lembre-se: valor, de fato, só se gera através de atos… E atos louváveis são raros aos que não praticam as outras máximas.
  8. Aja diferente. Pense diferente. Crie uma rotina de mudanças… Que esta seja a prerrogativa da sua vida! Nada é permanente.
  9. Gere valor. Tudo aquilo que tem impacto e é percebido… Será que, assim, as outras consciências irão propagá-lo? Decerto.
  10. Pratique estas máximas, rompa as amarras temporais e encontrarás, afinal, a Fonte de todas as criaturas: Deus.

Eis, caro leitor, o nosso “Decálogo da Consciência”. Que sirva tão somente como estímulo reflexivo, ou mais propriamente um breve convite para aqueles que anseiem por se perder num “romance com Deus”. Ter pensamentos conscientes é o primeiro capítulo – por certo o mais importante – dessa doce história chamada evolução criadora.

Você está preparado? Caso afirmativo, sem sombra de dúvidas, deves conhecer toda a obra de Paramahansa Yogananda: o grande propagador da Kriya Yoga nos tempos modernos, com especial ênfase no ocidente. Bata um Google, leia e verás! Depois experiencie… É isso.

Créditos:

Autoria por Ricardo Barreto

Da obra no prelo VALOR: desvendando conceitos e quebrando mitos

VOLUME II – CULTURA DE VALOR: aforismos para uma vida plena

Vida consciente

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Ao afirmar que a “consciência é a realidade mais complexa do cosmos”, Waldo Vieira valeu-se de toda propriedade de um dos maiores estudiosos da consciência dos últimos tempos, indo além dos pináculos da psicologia moderna, mesmo assim o dilema permanece sendo um só: como levar de fato uma vida consciente?

Muito já se falou na literatura esotérica, filosófica e religiosa sobre o tal equilíbrio entre o corpo e a mente. Também é fato inconteste que este tema tem sido cada vez mais objeto de investigação científica nas últimas décadas, inclusive nas mais conceituadas universidades médicas do mundo, dando outra credibilidade ao tema.

No entanto, aqui não nos limitamos na simples conceituação da consciência, nem tampouco nos deixamos cercear pelos preceitos puramente positivistas. Preferimos, outrossim, assumir premissas filosóficas que nos conduziriam a inferências sobre as questões mais prementes para evolução do Ser.

Vimos, por exemplo, que mais do que um atributo da mente, ou um objeto de fé, a consciência é o que anima os nossos corpos, um foco de energia vital, distinta da energia conhecida pela física newtoniana ou mesmo einsteiniana… Nossas indagações nos conduziriam, indelevelmente, à compreensão de como a consciência deve se manifestar em nossas vidas, desde os efeitos fisiológicos que afetam o corpo físico até o papel dos pensamentos que cultivamos e a seleção dos alimentos que nos nutrimos.

São estes, caros leitores, os três pilares que compõem a fórmula do bem viver, a chamada “vida consciente”.

Figura 1. Aspectos de uma vida consciente.

Antes de mais nada, é preciso entender quais são os sensíveis mecanismos biológicos por trás do estresse e, mais do que isso, como podemos “reprogramar” nossas mentes para disparar respostas de relaxamento no cotidiano, essenciais para retroalimentarem tais mecanismos, inibindo o ciclo nocivo à nossa saúde física, mental e consciencial. Já vimos que estes são os três níveis de interação do Ser, de modo que não é preciso complicar com inúmeros corpos energéticos, dos mais “sutis” aos mais “densos” para se explicar os fenômenos mais importantes.

No primeiro nível temos o corpo físico, isto mesmo este que conhecemos muito bem, ou melhor, pensamos que conhecemos… No segundo nível temos o campo mental, desvendado mais recentemente pelos estudiosos da psique humana e que nada mais é do que a manifestação dos nossos pensamentos – o plano nas ideias – lembrando que estes podem emergir ou submergir de acordo com nossas conexões neurais no estado de vigília ou durante o sono, suscitadas na maioria das vezes pelas emoções reprimidas. Por fim, temos ainda a consciência que não precisa de veículo algum para se manifestar. Ela é o terceiro nível porque sua compreensão é a menos palpável no plano físico, muito embora seja ela nossa existência primeira, a única perene, enfim, aquela que nos conduzirá inexoravelmente à Fonte.  

Sondamos então os efeitos dos Estados Alterados de Consciência (EACs), tanto no nível molecular com vibracional, perscrutando os seus benefícios ao corpo físico, capazes até mesmo de evitar inúmeras doenças como artrite reumatoide, depressão, angina pectoris, infertilidade, entre outras. Esta é a medicina do futuro: a medicina vibracional!1

Não nos privamos ainda de recomendar algumas boas práticas, ou melhor, hábitos que são perenes e capazes de estimular os conceitos ora aprendidos e criar maior valor nas nossas vidas. O Prof. Hermógenes, introdutor do Hatha yoga no Brasil, sintetizou alguns dos frutos colhidos ainda em vida, nos planos físico e sutil, por aqueles que alcançaram tal estágio em busca da autoperfeição.2

PLANO FÍSICOPLANO SUTIL
rejuvenescimento geralserenidade
emagrecimento sadioautoconfiança
embelezamento da figuraequilíbrio emocional
aprimoramento da voztranquilidade
resistência às moléstias e estafaclareza mental
leveza física e energiatolerância e paciência
Figura 2. Benefícios da Hatha yoga.

Longe de ser um segredo guardado pelas leis universais e superstições fantasiosas, trata-se outrossim de uma proposta de vida prática extremamente atual perante os avanços da ciência moderna. Alguns podem até achar que está fora do nosso tempo, ou até mesmo piegas, mas a estes convido para que comprovem com os próprios olhos, mas que sejam olhos de ver!

Créditos:

Autoria por Ricardo Barreto

Da obra no prelo VALOR: desvendando conceitos e quebrando mitos

VOLUME II – CULTURA DE VALOR: aforismos para uma vida plena

Saiba mais:

1. Gerber, Richard, Medicina Vibracional: Uma Medicina para o Futuro, São Paulo: Editora Cultrix, 1988.

2. Hermógenes, Autoperfeição com hatha yoga, 50a ed., Rio de Janeiro: Nova Era, 2009

Consciência crística e natureza búdica

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Após discorrer pelos 156 aforismos que compõem essa obra, diga-se de passagem: nem tão curtos como se gostaria, desvendando a tal “coisa” como ela é: essa busca inaudita de todo Ser pela compreensão das grandes questões existenciais, sobretudo pela significância aliada à prática da cultura de valor, quais sejam as manifestações nos planos físico e sutil, espero convicto, caro leitor, que esteja agora enxergando ao menos “algo” de forma mais clara… Somente assim, já me darei, peremptoriamente, por satisfeito!

Sobretudo, deve-se exaltar um fato inconteste, independente do credo: de que chegamos até aqui graças a uma perfeita combinação entre a filosofia oriental e ocidental. E concluímos, ainda, afirmando que são três os caminhos para esta ditosa “busca”:

  1. Caminho sinuoso: este é o caminho do pecado, do sofrimento, das vicissitudes… Encontra-se no nível da mente, arraigado ao ego. É longo porque depende da autodepuração, da inexorável lei do carma que só o tempo remedia. Neste longo caminho se encontra a grande maioria das pessoas em nosso mundo; 
  2. Caminho do meio: este é o caminho do estudo, do autoconhecimento, da racionalidade. Encontra-se, portanto, no nível da consciência, superior aos percalços do ego. Não é nem tão curto, nem tão longo porque suscita desvios, oriundos do orgulho, da vaidade e do poder que nos iludem, até encontrar a direção correta: a da “consciência crística”, aliada à “natureza búdica”, condição sine qua non para autorealização; 
  3. Caminho direto: este é o caminho da fé, da moralidade, da santificação. Encontra-se no nível mais elevado da essência divina, do espírito, da nossa alma melhor dizendo… É direto porque é claro, incisivo, tão simplório quanto raro! São pouquíssimos os Seres que têm a dádiva de um guru que os auxilie na autoiluminação dirigida.

A presente obra foi concebida para nos apoiar no estudo do caminho, aqui sutilmente distinto do “caminho do meio” budista, mais propriamente a conciliação do Buda e Cristo como os grandes mestres espirituais da humanidade, sem desmerecer os demais profetas de outras tradições religiosas.

Um nos ensinou a viver o presente, em conexão com a natureza, o divino que existe em cada um de nós – a natureza búdica – libertando-nos do sofrimento que padecem aqueles escravizados pelo apego e aversão. O outro nos ensinou a prática da caridade que se revela na geração de valor ao próximo – a consciência crística – tão lindamente manifestada pela lei do amor pregada nos evangelhos.

Independente do caminho, é na meditação que ambos encontraram a ferramenta evolutiva universal que nos une a Deus, conectando a natureza divina com a prática de valor. É nela que reside a fórmula para enfrentarmos nossos medos mais profundos, desvencilhando-nos do que nada agrega e assimilarmos o verdadeiro conceito da autoiluminação. Isto é o que chamamos de uma vida consciente!

Créditos:

Autoria por Ricardo Barreto

Da obra no prelo VALOR: desvendando conceitos e quebrando mitos

VOLUME II – CULTURA DE VALOR: aforismos para uma vida plena

FELICIDADE versus MELANCOLIA 154 – 156

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§ 154

Significado dos mantras. Quer dizer que devo realmente decorar aqueles mantras “indecifráveis” do Yoga para conseguir meditar? Bem, cada um deve desenvolver sua própria técnica que pode ser, inclusive, um “mix” de técnicas… Não há uma regra para despertar o estado meditativo. Os mantras são apenas uma delas! Considerados ferramentas de conexão espiritual, originários do hinduísmo, porém utilizados também no budismo e outras tradições religiosas, são hinos, sílabas e frases, normalmente escritas em sânscrito, que apresentam vibração especial quando entoados, fazendo-se uso de um Japamala para marcar o ritmo, ou até mesmo pela força do pensamento para evocar divindades. Um dos mantras mais poderosos praticado pelo budismo tibetano é o seguinte: Om Mani Padme Hum. Sempre inicio minhas meditações entoando este mantra!   

Figura I. Simbologia de um mantra.

§ 155

Meditação autoguiada. Na minha técnica de meditação autoguiada, o mantra precedente Om é sempre acompanhado da visualização da Fonte Criadora, seguida dos grandes mestres espirituais, Jesus Cristo e Buda, finalizando com meu guru iogue: Paramahansa Yoganada. Inicia-se uma breve sessão de Zazen (cerca de 15 minutos),1 através da contagem ritmada com respiração e na posição típica com o auxílio de uma almofada Zafu. O objetivo, aqui, é a concentração da mente, assumindo o controle consciente e “tirando as rédeas” do Ego… Se algum pensamento lhe ocorrer, simplesmente o “abstraia” e volte ao estado de total ausência de pensamentos. Sinta a paz de estar pleno no momento presente. Então, estire o corpo num tapete de yoga e mentalize a energia criadora no seu primeiro chakra, o do valor da felicidade e de coloração violeta, localizado no topo da cabeça. Percorra, com este foco de energia, a coluna cérebro-espinhal até o “osso sacro”, chamado Múládhára, concentrando-se em cada um dos sete chakras com a luz correspondente que deve permeiar todas as células do corpo, formando uma corrente chamada de Kundalini que sustenta nosso ilimitado poder espiritual… Observe que adotamos, aqui, uma sutil alteração da correspondência dos chakras com os sete valores, sem prejuízo à sua significância original.  

 Figura II. Escala de cores dos chakras e seus valores correspondentes.

Finalizada a primeira etapa, se a meditação for matutina (logo quando acorda), procede-se breve sessão de energização, limitada a cinco exercícios para cada dia da semana, segundo os procedimentos das Lições da Sociedade de Autorrealização,2 descritas no Apêndice. Se for noturna (antes de dormir), os exercícios de energização devem ser substituídos pela leitura de um texto sagrado, preferencialmente a Bíblia cristã ou o Cânone budista. Finalmente, na terceira e última etapa, projeta-se a consciência na busca de um “refúgio”, qual seja um local reconfortante em meio à natureza. Pode ser um chalé de madeira nas montanhas ou um bangalô numa praia deserta, o importante é repousar seu olhar numa vista aprazível! Se for pela manhã, deve-se proferir mentalmente as famosas “afirmações científica” de Paramahansa Yogananda, cada dia focando no valor correspondente. Se for noite, recomendo a técnica tibetana da “bondade compassiva”, mentalizando a “doação” deste mesmo valor para algum Ser, ou uma coletividade de Seres, em situação de vulnerabilidade… Então, saio pelo refúgio e realizo alguma atividade corriqueira, tal como caminhar no bosque de araucárias, tomar banho de cachoeira, colher hortaliças e frutos frescos ou cuidar dos animais. O intuito é sentir-se “vivamente” naquele local revigorante, respirando daquele ar ameno, nem que seja por alguns instantes… Finalmente, retorno voltando a atenção ao momento presente, ouvindo os sons do ambiente e saúdo Namastê. Abro os olhos e terminou-se a meditação.

§ 156

Disciplina iogue. Felizes são aqueles que têm disciplina! Os sábios iogues, desde a época dos Vedas, já diziam que a meditação somente surti efeito após muitos anos de prática. Não tenha, portanto, a doce ilusão de que sua vida mudará da noite para dia. Nada de perene na natureza se faz assim. Tudo são processos contínuos, construídos ao longo do tempo e com muito esmero. É como no esporte: para se tornar um exímio “meditador” você deverá ter anos e anos de prática. Estou entrando em meu 10º ano e ainda tenho tanto a galgar! Mas, agora, deve estar se perguntando: com que frequência devo praticar a meditação autoguiada? Não se engane… Todo santo dia! Veja, com suas três etapas, pode levar entre 45 e 60 minutos. Portanto, organize-se para nunca perder este momento único de conexão consigo mesmo e, consequentemente, com o Criador. Confesso, caro leitor, que não consigo mais viver sem ela… Para aqueles com uma rotina atribulada, recomendo fortemente a prática diuturna, logo quando acorda e antes de dormir, com a casa mais tranquila. Os benefícios para o corpo e mente são indiscutíveis. Só tome cuidado para não dormir durante a prática. Recomendo a prática numa cadeira, preferencialmente forrada com um manto, mantendo a coluna e cabeça eretos e confortavelmente alinhados, mas não o suficiente para o corpo interpretar que está na hora de dormir. Pois bem, finalizo dizendo que, se algo eu pudesse escolher de verdadeiramente precioso neste livro, sem dúvida esta era seria a “lição de ouro”: meditar, meditar e, sempre, meditar. Não consigo pensar nada mais transformador, prático, ecumênico e providencial ao ser humano e à natureza quanto isso. Om shanti.

Créditos:

Autoria por Ricardo Barreto

Da obra no prelo VALOR: desvendando conceitos e quebrando mitos

VOLUME II – CULTURA DE VALOR: aforismos para uma vida plena

Saiba mais:

1. Kido Inoue, ZAZEN: the way to awakening, Bloomington: iUniverse, 2011.

2. Para acessar as Lições da Sociedade de Autorrealização, por Paramahansa Yogananda, 1956/1984, você deverá responder ao questionário específico e submeter à sede internacional da entidade, localizada em Los Angeles, California, US.

FELICIDADE versus MELANCOLIA 151 – 153

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§ 151

Da importância do silêncio interior. Como “domesticar” o turbilhão de pensamentos que povoam nossa mente? Comece pela busca do silêncio interior. Eis o templo da introspecção! Você precisa aprender a desligar-se de tudo que o rodeia, mesmo nos ambientes mais hostis. Só assim você poderá galgar passos rumo à felicidade plena. Imagine alguém que trabalha na bolsa de valores, ligado em qualquer flutuação das ações das empresas que podem representar milhões em perdas para os investidores que representa. É, de fato, um desafio para esta pessoa encontrar algum espaço para o cultivo do silêncio interior ao longo do dia. Mas não impossível! Só depende de você, da força dos seus pensamentos… É ela – sua mente – que gera poder. E é através da sua “controladora” – a consciência – que conseguirá romper os liames do comportamento padrão. Enfim, mantendo os pensamentos sob controle, a consciência pode finalmente gozar da liberdade de moldar o ambiente à sua volta, influenciando-o através das outras consciências. Este “gozo” é diferente de qualquer outro que já tenha experimentado e o único capaz de gerar o otimismo mais genuíno do Ser, aquele que nos impulsiona às grandes realizações.

§ 152

O verdadeiro segredo do otimismo. Que fazer então para despertar e sustentar este otimismo quando ainda não consigo sequer controlar os meus mais instintivos pensamentos? É preciso ir além e manter a constante conexão com o Criador. A energia imanente que dele provem reforça a vibração da nossa consciência, o que resulta na percepção de valor por todos que nos rodeiam. O iogue a perfaz por prana. As orações são bem-intencionadas, mas basta conexão. O Criador não ouve orações, mas suas consciências afins, entes que já se foram ou companheiros da existência terrena, sim. Ele apenas emana, a tudo e a todos, independente de credo, de posição no espaço ou no tempo. Para sorver da sua energia, somente conectando-se e ressonando com ela. Eis o verdadeiro segredo!  

§ 153

Meditação versus oração. De uns tempos para cá, temos ouvido falar cada vez mais sobre meditação, inclusive de maneira pejorativa no sentido de que está tomando o lugar da oração e outras formas de culto religioso. Não vejo tal dicotomia. Não seria uma faculdade em franca expansão na cultura ocidental, caso não fosse determinante à nossa existência no plano físico ou sutil.

Meditar é conexão. Orar é doação. Uma recebe “energia divina”, outra a distribui. Simples assim!

A meditação, propalada há tanto tempo entre as práticas budistas e iogues, nada tem a ver com religião, apesar da oração, ou da prática de repetição da prece, seja uma das inúmeras técnicas para se adentrar no tal “estado meditativo”. Outras técnicas de focalização da mente envolvem o controle da respiração, contagem mental, a fixação do olhar num ponto fixo, mantras, entre outras.

Créditos:

Autoria por Ricardo Barreto

Da obra no prelo VALOR: desvendando conceitos e quebrando mitos

VOLUME II – CULTURA DE VALOR: aforismos para uma vida plena