Conclusão inteligência de valor

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Espero que a leitura deste livro tenha despertado no leitor ou leitora minimamente a necessidade premente de conhecer um pouco mais a fundo o universo que se descortina com a inteligência artificial aplicada em todos os aspectos da nossa vida!

Organizações empresariais como o Google, Bloomberb, Amazon, LinkeIn, NetFlix, Reuters, Facebook, entre tantas outras gigantes da indústria da tecnologia, entretenimento e informação, são as “coqueluches” desses novos tempos que valorizam muito mais os dados gerados pelo comportamento dos seus usuários do que qualquer outra coisa…

Não são só as empresas na liderança da economia mundial que estão mudando, mas sobretudo o perfil de experimentação organizacional. Quem ouvia falar de Instagram uns 10 ou 15 anos atrás? Hoje é a tecnologia que impera para o sucesso das organizações temporárias e inovadoras chamadas de startups.

Estas costumam surgir da visão e talento dos seus cofundadores nerds, mas quando devidamente capitalizadas e profissionalizadas tornam-se colossos com tentáculos em quaisquer aplicações possíveis e imagináveis, desde a medicina diagnóstica até a erradicação do problema da água potável em países pobres e semiáridos!

As relações de trabalho também estão em franca transformação desafiando os modelos até então explorados, altamente dependentes de contratos formais e escopo rígido de atividades. Vimos que os hackers são atores cada vez mais presentes e nem sempre com a visão perjorativa que temos deles…

Domenico de Masi nos ensinou que o ócio é vital à criatividade que por sua vez impulsiona irreversivelmente a inovação,1 sem falar das ferramentas de growth hacking que estão promovendo uma verdadeira disrupção no marketing digital e criação das redes de valor. Após ler o capítulo sobre inteligência digital, alguém ainda tem dúvida sobre o papel das redes sociais nesse movimento?  

            Com tanta novidade assim, nos diferentes âmbitos da vida humana, não poderiam faltar grandes pensadores como o historiador israelense Yuval Harari nos apontando para eclosão de uma nova categoria de ser humano: o Homo Deus.2 Sim, deixamos de ser Homo Sapiens e passamos a ser os próprios criadores de “seres inteligentes” que podem ser totalmente inorgânicos!   

            Por trás da revolução da inteligência artificial estão os algoritmos. São eles que rivalizam a “criação divina” ao instituir as regras lógicas capazes de tomar praticamente qualquer decisão automática. John MacCormick identificou bem cedo a importância do público leigo tomar ciência desse conceito e nos brindou com um ranking dos nove algoritmos que revolucionaram o século XXI (pelo menos a sua primeira década):3

  1. Indexação dos mecanismos de busca;
  2. Rankiamento de webpages;
  3. Criptografia por chaves;
  4. Códigos para correção;
  5. Reconhecimento de padrões;
  6. Compressão de dados;
  7. Bancos de dados;
  8. Assinaturas digitais;
  9. Autoprogramas.

Claro que vários outros algoritmos importantes eclodiram na sequência, desde os avanços para direção autônoma até os simuladores de resultados dos processos eleitorais, mas estes sem sombra de dúvidas lançaram as bases para muito do que estamos vendo hoje e ainda do que está por vir.

Neste livro apresentamos um método denominado “inteligência de valor” que pode ser útil caso você não seja um “ás da programação”, mas deseje sistematizar de alguma forma suas próprias rotinas decisórias. Lembre-se que um algoritmo nada mais é do que:

Uma receita precisa que especifica a sequência exata de passos necessários para solucionar um problema.

            Aprendemos, assim, a identificar alguns dos padrões importantes nas seáras da inteligência digital, científica, tecnológica e de mercado. Estes foram os campos que senti necessidade de avançar com maior racionalidade. No Apêndice deixo ao leitor o procedimento que segui para desenhar a maioria dos algoritmos de relevância apresentados.

             Assim como o neurocientista Daniel Levitin,4 vejo um futuro peculiar para as “mentes organizadas” que souberem fazer jus aos dados massivos que estão disponíveis publicamente. Só espero que a nova religião que se nos apresenta, o dataísmo, não nos leve ao extremo oposto que pode vir a ser ainda mais nocivo que os percalços do humanismo.

            Cathy O´Neil faz o alerta para as novas Armas de Destruição em Massa (ADMs) que são os algoritmos! Diariamente temos assistido inúmeras vítimas que têm ficado de fora do mercado de trabalho, sem acesso ao crétito, seguradoras ou até mesmo do sistema educacional por causa da frieza dos algoritmos muitas vezes imprecisos e injustos.5

Por isso quero encerrar este livro com um apelo: que nunca deixemos de lado a inteligência humana, capaz de ter sentimentos e compaixão nas decisões mais duras da vida que são aquelas que realmente fazem toda diferença…

Ricardo de Lima Barreto

Valinhos, outono de 2022

Créditos:

Autoria por Ricardo Barreto

Da obra no prelo VALOR: desvendando conceitos e quebrando mitos

VOLUME I – INTELIGÊNCIA DE VALOR: algoritmos para boas decisões

Saiba mais: 

1. De Masi, D. O Ócio Criativo, Rio de Janeiro: Sextante, 328 p., 2000.

2. Harari, Yuval Noah, Homo Deus: uma breve história do amanhã, 1a ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2016.

3. MacCormick, John, Nine algorithms that changed the future, the ingenious ideas tha drive today´s computers, Princeton University Press, New Jersey, 2012.

4. Daniel J. Levitin, The organized Mind, Dutton: New York, 2014, p. 231. 

5. O´Neil, Cathy, Algoritmos de destruição em massa: como a big data aumenta a desigualdade e ameaça a democracia, 1a ed. Editora Rua do Sabão, Santo André, SP, 2020.

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