O perigo da subjugação dogmática

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Certamente você já sabe o que é um dogma: a “pedra fundamental” de qualquer crença, religiosa ou não. O dogma tem função vital na sociedade humana, visto que alguns preceitos fundamentais da organização ideológica se esvaeceriam sem ele…


Lembre-se: nenhuma teoria que se preze nasce do nada. É preciso passar por diversos “estágios de maturação” antes de galgar o status de comprovação científica! O “bom dogma” serve para sustentá-la nos primeiros estágios, os mais difíceis…


Mas então o que seria um “dogma ruim”? Veremos aqui que o problema não está nos dogmas religiosos, per se, e sim na religião como instituição humana que transformou-se, ou melhor, sempre foi uma fonte de poder e/ou ascensão social.

Doutrina ou religião?

Parece uma coisa. Não é a toa que bilhões de pessoas mundo afora têm Jesus Cristo como referência quando se trata de religião. Independente de “taxações”, para mim ser cristão é tê-lo como Mestre, uma Consciência-guia a nos iluminar o caminho…

Veja o que ele já falava sobre aqueles que viriam a ser chamados de “falsos profetas”:

Senhor, perdoe-os, pois não sabem o que fazem…

Considero um equívoco afirmar que Jesus Cristo tenha instituído qualquer tipo de religião. Ele era judeu e ponto. Nunca disse o contrário (pelo menos até onde alcançaram os relatos puramente históricos).

No máximo podemos dizer que ele se enquadraria como algum tipo de “reformista” com métodos nem um pouco ortodoxos para época. Quem rebaixou sua doutrina, o cristianismo, ao status de “religião” foi o imperador Constantino, mas esta é outra história…

O fato é que seus ensinamentos são indiscutíveis por serem embasados no exemplo de amor e caridade e não na subjugação dogmática a um conjunto de leis morais, ditas “divinas”, cujos fundamentos, apesar de louváveis, muitas vezes, acabam aprisionando a liberdade de pensamento.

Dogmas religiosos pra quê!

Pode-se dizer que é intrínseca a vontade do ser humano de  acreditar em algo que transcenda a existência no plano físico. Hoje existem inúmeros estudos psicológicos e científicos que comprovam que o ser humano se comporta melhor, de forma moralmente louvável ou pelo menos ética, ao ser confrontado com a presença de uma “deidade”, ou algo que a represente…

O “conceito de deidade”, portanto, sempre existiu. Algo que represente um Ser Supremo, a Fonte de tudo, responsável pela criação e o regimento do universo, bem como dos seres dotados de Consciência (seu “filhos”). Enfim, um Deus!

Acontece que a busca incessante de “sentido para vida”, independente da época, local e credo, é o grande “calcanhar de Aquiles” da raça humana!

Aí residem os principais fatores de ludibriação: o “alívio diante das aflições” e a “verdadeira felicidade perante as distrações” do mundo material ou carnal. Daí advém os dogmas religiosos. Em verdade, constituem um prato-cheio àqueles aproveitadores, travestidos de “pastores” que manipulam os “crentes” com o poder da oratória.

Jesus estava mais do que certo ao rogar pelo seu perdão!

Uma “rotulagem” desnecessária…

Penso que o simples fato de dizer: “sou desta ou daquela religião”, independente do contexto e/ou propósito, já representa um motivo para gerar o preconceito que é um dos maiores inimigo da nossa evolução!

Perceba então que, em essência, é errado nos rotularmos porque perdemos, em parte ou até mesmo integralmente, nossos dois mais preciosos bens: a “liberdade de pensamento” e a “individualidade existencial”.

Após muito refletir sobre estas questões, sou resoluto ao afirmar que não devemos nos rotular como seguidores de uma ou outra religião. Nosso sistema de crenças deve permanecer livre e dinâmico, adaptando suas “respostas” às características únicas da construção do conhecimento.

Não existe uma “verdade” dita religiosa! O que existe é a verdade relativa de cada um…

Evita-se, assim, as conotações tendenciosas, geradas pela “rotulagem religiosa”, preservando o caráter positivo de toda e qualquer discussão despretensiosa. O importante é que se valorize o crescimento interpessoal.

 

Lembremo-nos, por fim, que a nossa maior ferramenta evolutiva é a AÇÃO. Quando temos atitudes egoístas, ressaltando o orgulho, preocupados somente com as “quimeras da vida”, por mais coerentes que sejamos com os nossos ideais, as nossas crenças dinâmicas, não deixaremos de ser tão-somente hipócritas esclarecidos…

Voltemo-nos ao Mestre. É sempre bom lembrar que:

Mais será cobrado daqueles que muito receberam…

E, numa luta diuturna, sejamos “bons e prestativos” para com os nossos semelhantes. Isto quer dizer que a felicidade já habita em nossos corações. Quem sabe não sintas, assim, uma fração daquilo que o Dalai Lama nos apresenta através da meditação plena, o samadhi, o “estado de conexão” com Deus.

Créditos:

Autoria por Ricardo Barreto

Conteúdo exclusivo de ricardobarreto.com

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Saiba mais:

  1. Barreto, R. L. LIVROVIVO: 2000-2002, 1a ed., Editor-Autor, 2003.
  2. Cutler, H.C. A Arte da Felicidade, 2000, Martins Fontes, p. 17.