Filtrando dados com inteligência digital

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Vimos anteriormente que a primeira etapa do ciclo FRD de feedback inteligente envolve técnicas de data mining, visando filtrar dados de um acervo de big data. Detalhe importante: dados que possam vir a ser realmente úteis em alguma área específica. Mas como poderemos cumprir com esta missão no caso do marketing de conteúdo em que o universo de dados é delimitado pela vastidão da internet?

Bem, só para se ter uma ideia, pondere que a quantidade de dados armazenados atualmente é de aproximadamente 4,4 zettabyetes (ZiB) e que, em até 5 anos, esse volume deve passar para cerca de 44 ZiB ou 44 trilhões de gigabytes. É isto mesmo: a cada segundo cada um de nós cria um novo dado! [1]

Veremos aqui algumas formas de sistematizar estas buscas para encontrar informação realmente inusitada, ou seja, algo que difira pelo menos um pouco da tão “batida” primeira página de resultados de uma busca padrão no Google…

Bases de dados versus ferramentas

Você já deve ter percebido que após implementar uma estrutura adequada de processos você passará a acumular uma grande quantidade de dados em sua organização. Correto? E certamente já sabe que estes dados são valiosíssimos para tomada de decisão em marketing de conteúdo!

Não é à toa que hoje em dia são chamados de “ativos de dados” e existem diversas ferramentas utilizadas para sua gestão que são conhecidas como Digital Asset Management (DAM). Não se preocupe de antemão, basta compilar as informações numa boa e velha planilha Excel. O importante é manter a disciplina nos controles. Mas como posso distinguir uma base de dados de uma ferramenta de marketing de conteúdo?

Antes de mais nada é importante definirmos o que é uma base de dados. É preciso ir além do conceito de “repositório” que apenas estoca dados, assim como também é fundamental entender qual é o seu papel na abordagem da “inteligência de conteúdo”. As bases de dados são muito valiosas hoje em dia e caracterizam-se pela capacidade de estocar, referenciar e distribuir dados em determinada área do conhecimento.

Já as ferramentas são “instrumentos” que facilitam a execução de determinada atividade. Portanto, temos que toda base de dados pode ser considerada uma ferramenta já que ela pode fornecer informação relevante para desempenhar determinada função. No entanto, conforme o Leitor já deve ter percebido, nem toda ferramenta constitui uma base de dados. Comecemos com um exemplo prático: Como levantar dados acerca do seu público-alvo, mais propriamente a sua persona?

Conhecendo a sua persona

O levantamento de dados sobre a sua persona pode ser feito com bases de dados digitais internas ou externas. No primeiro caso, falamos de informações sobre os seus clientes, as quais podem ser extraídas, por exemplo, do seu sistema de CRM. Consultar internamente como anda a demanda de conteúdos pelo seu público de relacionamento é um bom começo para saber com quem você vai se comunicar e ainda não é cliente…

O primeiro passo, portanto, é manter o histórico de como o seu público interage com os seus conteúdos já publicados, dependendo do perfil e também da etapa que estiver dentro do funil de marketing. É fundamental saber, por exemplo, qual é o formato (exs. texto, infográfico, foto ou vídeo) que melhor ressoa com a sua persona em cada uma das etapas de aquisição, retenção e crescimento.

Importante também conhecer detalhes demográficos através do tráfego por países, idade dos visitantes, sexo, interesses, origem do tráfego, entre outros. A SimilarWeb é uma base de dados com acesso gratuito onde se pode ter uma rápida “radiografia” de algumas destas informações, sendo reconhecida pelo seu ranking mundial de websites e ainda provê dados dos seus competidores digitais em determinada categoria.

Reconhecendo influenciadores

A escolha do canal de distribuição para o conteúdo produzido é também estratégica e depende muito do perfil de acesso da sua persona. Em suma, você precisa fazer um estudo detalhado de canais antes de sair disparando seus posts a esmo! Há tempos que a diversificação de mídias deixou de ser a melhor estratégia…

Cada canal de mídia apresenta suas peculiaridades e precisa ser constantemente alimentado para sortir os efeitos esperados sobre o seu público. Nem sempre os canais pagos são a melhor alternativa… Conheça as 3 categorias de canais, divididas de acordo com a sua “disponibilidade” em canais proprietários, pagos ou “ganhos”.

Uma imagem contendo relógio

Descrição gerada automaticamente
Figura. Categorias de canais de distribuição de conteúdo.

Particularmente sou fã das ferramentas que propiciam a captura de dados de conteúdos distribuídos. O importante mesmo é utilizar estes dados para alguma ação estratégica de social marketing. É por este motivo que resolvi destacar um exemplo de ferramenta que permite encontrar influenciadores: a BuzzSumo.

Apesar de ser uma base de dados paga, com ela você terá acesso aos engajamentos nas principais redes sociais de todos os seus posts, permitindo inclusive que você descubra quais são os usuários que mais compartilharam seus conteúdos… São estes os seus influenciadores. Reconheça-os que o “universo” online estará a seus pés!

§

Uma lista extensiva de bases de dados e ferramentas de inteligência digital será apresentada ao final desta obra (Apêndice). Por ora, o conhecimento das suas personas e o reconhecimento dos seus influenciadores é o suficiente para galgar os primeiros passos para uma estratégia de inteligência digital mais robusta.

Vamos adentrar agora naquela que considero a mais nobre das informações online através dos “rastros” deixados pela sua persona: suas TAGs! Isto mesmo. São as palavras-chave utilizadas em suas pesquisas que nos dão a “dica” de quais são os seus interesses… E é a partir daí que você deve planejar toda a sua estratégia de conteúdo!


Créditos:

Autoria por Ricardo Barreto

Obra no prelo: INTELIGÊNCIA DE VALOR: boas decisões sempre

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Saiba mais:

[1] Para mais curiosidades sobre a internet, acesse a reportagem da revista Forbes AQUI.

BASES DE DADOS ESPECIALIZADAS

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Vimos o importante papel dos “brokers de informação”, mas não nos atemos devidamente ao seu principal insumo: os dados! De nada adianta produzir e disseminar documentos de inteligência (um tipo de produto do conhecimento) se a informação não tiver sido extraída de “fontes” fidedignas e obtida através de buscas sistemáticas em bases de dados especializadas.

Não falo aqui dos mecanismos de buscas onipresentes em nossa rotina como o Google. Na verdade, sendo mais formalista, nem sequer poderíamos enquadrá-lo como tal. Sem desmerecer sua funcionalidade e alcance indiscutível, nos orientando nas buscas de informações genéricas, ele funciona tão somente como um indexador de páginas web e ponto. Não trata-se propriamente de um gerador, nem tampouco um HUB de conteúdo!

Como nos desvencilhar deste hábito, já meio que automático e quase instintivo, de iniciar todas as nossas buscas de informação pelo Google?

Em se tratando da busca de informações técnicas, voltadas para inteligência competitiva e colaborativa, esta não é mais uma opção e sim uma obrigação! Deve-se considerar as chamadas bases de dados especializadas.

Categorias das bases de dados

De acordo com a aplicação, temos bases de dados digitais, financeiras, científicas, tecnológicas, de mercado, entre outras. Elas podem ser abrangentes ou específicas, dependendo da variedade de canais, ativos, disciplinas, tecnologias ou mercados. O número de backlinks, operações financeiras, artigos científicos, patentes ou registros de transações comerciais são dados preciosos que podem ser obtidos através destas bases.1

A busca de informações científicas, por exemplo, é indispensável nas atividades de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D), fornecendo uma visão global sobre os avanços em determinado ramo científico e permitindo ao pesquisador obter uma noção precisa sobre a influência dos seus trabalhos. Além disso, evita a realização de pesquisas duplicadas.2 É possível acessar um paper completo através da bases de dados das editoras de periódicos científicos, entre as quais pode-se citar a ScienceDirect da editora Elsevier.

Por sua vez, a demanda de informação tecnológica pelas empresas inovadoras é tão premente que já foi inclusive objeto de pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) para identificar as necessidades do setor industrial brasileiro.3 Apesar da baixa utilização das informações contidas nos documentos de patentes, ficou evidente o desejo de obterem informações sobre o mercado de atuação como um fator de competitividade. Neste sentido, pode-se destacar a PatentScope que congrega os principais escritórios de patentes ao redor do mundo.

É possível obter informações de mercado de diversos setores econômicos através de bases de dados nacionais gratuitas que contabilizam as transações de comércio exterior como a ComexStat no Brasil. Voltando-nos ao universo digital, destacam-se as bases de dados de backlinks e palavras-chave, tais como o SEMrush e SEOprofiler, bem como o BuzzSumo que monitora engajamentos nas redes sociais. Na área financeira, não poderíamos deixa de citar a Investing.com que compreende o monitoramento das diferentes classe de ativos, bem como a TradingEconomics que compila os principais indicadores econômicos dos países. Abaixo uma breve compilação dos principais exemplos de cada uma das categorias de bases de dados especializadas aqui citadas.

Tabela. Exemplos de bases de dados especializadas divididas por categoria.

Entenderemos melhor, na sequência, como a utilização contínua, sistemática e perspicaz dos dados extraídos destas bases especializadas (digitais, financeiras, científicas, tecnológicas e de mercado), fazendo uso de técnicas avançadas de data mining e analytics, pode impulsionar significativamente o valor gerado nas organizações. Por falar em valor, sem mais delongas, chegou o momento de introduzirmos o conceito principal da metodologia a ser aplicada daqui em diante: a “inteligência de valor”.

Créditos:

Autoria por Ricardo Barreto

Obra no prelo: INTELIGÊNCIA DE VALOR: boas decisões sempre

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Saiba mais:

1. Valentim et al. Revista de Ciência da Informação, 2003.

2. Firme et al. Química Nova, v. 31, nº 2, pp. 445-451, 2008.

3. CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA, Brasília: CNI, 1996.